Publicado em : 2 de fevereiro de 2010
Postado em Treino de Musculação

Um ponto a mais para a atividade física. Agora, soma-se aos benefícios que ela traz para a saúde do coração, ossos, músculos e pulmões, uma novidade. Três estudos — um deles brasileiro — mostraram que malhar não ajuda apenas a perder peso porque leva ao aumento do gasto calórico. Fazer exercício também tira a vontade de comer. Publicada em setembro na revista Amencan Journal of Physiology, a pesquisa do grupo americano da Universidade do Cobrado, em Denver, EUA, revelou que a atividade física não apenas reduz o apetite, mas leva à queima de gordura antes da queima de carboidratos. ‘Gastar a gordura primeiro e estocar o carboidrato para usá-lo depois diminui a chance de os quilos perdidos voltarem e minimiza o risco de as pessoas se empanturrarem de comida porque o cérebro passa a receber sinais de que o corpo está saciado’, disse à SPORT LIFE o pesquisador Paul MacLean, autor do estudo.
A maior parte das pessoas, diz o pesquisa- dor, acha que ganhar peso é simples: basta que as calorias consumidas sejam maiores do que as gastas. ‘Olhando de perto, é um processo muito mais complexo do que isso”, garante. Animais comem ou deixam de comer de acordo com os sinais biológicos que levam ao aumento ou à redução do apetite. ‘Só que no homem, os avisos que controlam o consumo de alimentos são muito mais fracos. O ser humano é levado a comer (ou não) muito mais por pressão psicossocial e ambiental. Depois de uma dieta, no entanto, esses sinalizadores metabólicos se tornam importantes, quer dizer, aqueles avisos se traduzem em fome o tempo todo, levando a pessoa a querer comer mais do que o corpo precisa. Ficar com fome depois de um regime muito restritivo é um dos motivos pelos quais as pessoas voltam a engordar. Boa parte delas não consegue ignorar essa pressão psicológica e é ‘biologicamente” [evada a se jogar na comida depois de ter sofrido muito para perder alguns quilos. Por isso, a maior parte das pessoas volta a ganhar peso depois de um regime pesado”, explica MacLean. Segundo ele, inúmeras pesquisas já mostraram que a grande maioria dos indivíduos que consegue manter o peso depois de uma dieta incluiu atividade física em seu dia a dia.
Outro estudo, publicado na edição on-line da revista American Journal of Physiology-Regulatory, Integrative and Com parative Physiology, revelou algo ainda mais surpreendente: os exercícios aeróbios são melhores que os anaeróbios para a perda de peso porque eles mexem com os níveis de vários hormônios que controlam o apetite (leia mais sobre eles na póg. 36), como a grelina, que estimula a vontade de comer, e o peptídeo ‘{Y, que tira a fome. Os pesquisadores descobriram que uma sessão pesada de 60 mm de exercício na esteira leva a grelina no sangue a cair, enquanto o peptideo YY a subir. Unia sessão de 90 mm de musculação, no entanto, não foi capaz de alterar os níveis do peptídeo na mesma intensidade. ‘Os dois tipos de exercício tiram o apetite de unia certa maneira, mas a atividade aeróbia, como correr a 70% da V02 máx, é a que produz a maior supressão da fome. Caminhar ou andar em um ritmo elevado também não alteraram os hormônios do apetite’, explicou à SPORT LIFE David Stensel, da Faculdade de Esporte, Exercício e Ciências da Saúde da Universidade Loughborough, Reino Unido. Para o pesquisador, ainda é cedo para especular por que isso acontece, mas ele já tem algumas hipóteses: “A musculação é um exercício anabólico por natureza, e o aumento do consumo de alimentos é necessário para fazer os músculos crescerem, por isso imaginamos que o apetite caia mais em uma atividade como a corrida. Para ser eficiente como corredor, um atleta tem de ter uma massa magra relativamente baixa, mas ainda estamos começando a aprender como isso funciona de fato.”
Um terceiro estudo, este brasileiro, apresentado na reunião da Fesbe, a Federação das Sociedades de Biologia Experimental, revelou que o exercício faz com que o corpo envie sinais ao cérebro para que ele coma menos. ‘Acreditava-se que a atividade física faz emagrecer porque o corpo gasta mais calorias do que consorne. Estamos mostrandoum outro aspecto: ela tambémfaz com que a ingestão de calorias diminua”, diz Eduardo Ropelle, pesquisador da Unicamp e do Instituto de Obesidade e Diabetes, em Campinas, SP. O trabalho de Ropelle envolve dois hormônios já bem conhecidos da ciência: a insulina e a leptina (leia mais sobre elas no quadro ao lado). São esses sinalizadores químicos que dizem ao cérebro quando parar de comer. De acordo com o pesquisador, a obesidade envolve um círculo comportamental: quanto mais se come, mais se quer comer.
Ela também leva esses hormônios a perderem a capacidade de regular o apetite. Animais obesos submetidos a uma única sessão de atividade física intensa
fez com que os sinalizadores voltassem aos níveis normais, e o efeito durou de 12 a 16 horas.
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